sábado, 29 de março de 2008

O Mistério de Enrique Iglesias

Conhecido por ser filho do, possivelmente, maior cantor e galã espanhol actual, nunca foi claro se herdara o talento para a música do seu progenitor. Sempre se ouviu mais falar do seu sinal que das suas músicas. Neste caso, filho de peixe não se sabe se nada, mas parece que se aguenta a boiar, pelo menos.

Não vou falar da inefável qualidade das melodias com que nos surpreende este artista, nem do seu categorizado tom de falsete e muito menos do seu corte de cabelo à empregado de mesa. Tudo isto me parece de importância diminuta quando vemos uns videoclipes e reparamos nas companhias, boas companhias num certo e determinado sentido, em que se encontra, e nas cenas tórridas, também boas num particular sentido, que são protagonizadas em conjunto.

No contexto das histórias retratadas o comum dos homens mortais estaria nos píncaros da lua, com um sorriso bem rasgado (e algo aparvalhado, acrescento) na face aberta, mas tal não podia ser mais longe da realidade no caso de Iglesias Júnior. Olhos lacrimejantes, choro compulsivo, um sofrimento estampado na cara como se lhe tivesse morrido a família toda, ou como se fosse o Cláudio Ramos, é o que se vê.

As razões podem ser inúmeras: Talvez não ache que as co-protagonistas estejam à sua altura. Talvez não goste de mulheres. Talvez tenha complexo de Édipo. Talvez sinta mesmo as bambochatas que canta. Talvez tudo lhe traga más memórias. Ou então falta-lhe sempre aquela prescrição de Xanax. Na volta ainda é adepto do Benfica (Por que não? – 14 milhões em todo o mundo!).

Aguardam-se sugestões para a resolução de um mistério que faz a Santa Trindade parecer mais acessível de repente.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Cantus

Falemos de tradições. O Cantus é uma famosa actividade entre os estudantes belgas, envolve canções tradicionais e beber cerveja. É estruturado de acordo com rigorosas regras. Vejamos, existe um responsável por manter a ordem na sala e pela punição dos desordeiros (Senior), existe uma série de termos em latim, específicos para a ligação entre o Senior e o resto das pessoas (Corona).

Deixando de lado os formalismos, a coisa descamba. E de que maneira! Depois da rápida ingestão de generosas quantidades de cerveja, embalados pela cantoria desenfreada a festa ganha tons surreais.

Substituindo-se os cinzentos belgas por alegres erasmus a casa vai abaixo.

sábado, 15 de março de 2008

Sempre Gostei Mais das Casas do Povo

Excerto d'As Vinhas da Ira, de John Steinbeck:

"O banco é alguma coisa mais do que homens. Acontece que todos os homens odeiam o que o banco faz, e todavia o banco fá-lo. O banco é alguma coisa mais do que os homens, acreditem. É o monstro. Os homens fizeram-no mas não podem controlá-lo."

P.S.: Se o banco é o monstro, que papel é que tem a Odete Santos no meio disto tudo? A mim parece-me que encaixa na definição também...

domingo, 9 de março de 2008

Escrever é pensar

Escrever é pensar. O bom pensamento é relevante para quem ouve, é concreto, é honesto. Tenho para mim que é conciso. É assim também a boa escrita.

Deve ser clara. É regra de ouro. No entanto e porque também a escrita é lúdica, uns pozinhos de abstracção vêm por bem.

Leio bons textos. A blogosfera está pejada deles. Gente que fala do que sabe e do que não sabe. Com os primeiros aprendo, com os segundos me divirto.

Os blogs dão liberdade a quem escreve e a quem lê. Estou convencido que algumas correntes opinativas surgirão de lá, capazes de nos entreter e de nos abanar.

sábado, 8 de março de 2008

Roteiro Turístico - Brasserie Museu

Situado na zona mais in da metrópole que é Coimbra, em que o metro quadrado ronda, a preços médios, os 6000 euros, temos um espaço que fica na memória de quem o visita. Em traços largos, combina uma sumptuosidade e uma monumentalidade de nota, tendo, todavia, uma dimensão humana e culturalmente estimulante.

Um homem, Shônuno, de sua boca antigo fuzileiro, com um historial riquíssimo de episódios de valentia nas prestigiantes forças armadas portuguesas, é o mestre de cerimónias que nos dá as boas vindas. Um espaço amplo, repleto de autênticas pinturas rupestres nas paredes, maravilhosos bancos corridos do mais nobre pinho estilo Luís XV, com tudo sempre apresentado com um asseio irrepreensível. Sobretudo salienta-se o ar perfumado que se respira no estabelecimento.

O serviço à mesa é personalizado, o cliente é tratado pelo nome e são-lhe lembrados episódios de noites que só não falham na memória do Anfitrião, que não se sabe se ultrapassa por vezes um pouco a barreira da brutalidade, de outras a da homossexualidade. Conscientemente, o Proprietário sabe que esta última faceta referida é meio caminho andado na sua cruzada por uma ou outra estrelinha no guia Michelin pela sua cozinha gourmet.

A apelidada cultura de empresa do estabelecimento dispõe que a cuisine especial seja toda à base de cerveja de onde se destacam como pratos principais a «La Giraffe» ou o «Le Knockout». Como hors d'oeuvres, um pouco ao estilo das tapas espanholas, a salientar «Les Minis». O espaço é frequentemente utilizado para verdadeiras orgias alimentares, em que, ao bom estilo romano, os clientes regurgitam o que comeram previamente, isto só para prosseguírem na arte da degustação.

Já patente nas entrelinhas da descrição que tenho vindo a realizar é o ambiente culturalmente rico e eclético do Museu (um nome mais que apropriado à realidade do estabelecimento). São já históricas as interessantes discussões filosóficas entre o Anfitrião, seguidor de Heidegger e do método fenomenológico e hermenêutico, e Brasa, o sócio-cliente número um, seguidor de Ronaldinho Gaúcho e adepto do Benfica.

Apreciação Geral: 5 Estrelas

sábado, 1 de março de 2008

Laranja Mecânica - Divagação

Sui generis, é o mínimo que se pode dizer sobre este filme, mas também não é coisa a que não estejamos já habituados em obras do realizador em causa. Contudo, despertou-me a atenção para uma questão pertinente, e se pertinente na altura em que o filme foi realizado, mais o é agora:

Sem querer revelar muito da história, com vista a não estragar a eventual experiência de quem está a pensar ver, no filme é apresentado um tratamento de choque que eventualmente faria qualquer pessoa nunca cometer um crime na vida. Este é aplicado então ao nosso personagem principal, um criminoso, e apresentado na história como a cura definitiva para os males da sociedade.

As consequências do tratamento são fazer a pessoa em causa, ao sentir náuseas, paralisar em situações de violência e conflito - os males. O indivíduo como que está numa prisão interna, e acaba por ter uma conduta baseada em restrições físicas (daí o mecânico da questão) em vez de se basear em escolhas morais e intrinsecamente pessoais.

Numa altura em que o pânico em massa parece ser o pão nosso de cada dia, estaríamos dispostos a abdicar da escolha individual em prol de uma sociedade mais segura, se um tratamento do género existisse na realidade? Eu espero que não. Penso que a individualidade é um preço demasiado alto a pagar para que nos sintamos um pouco mais seguros. E claro, sem individualidade, o que é que valerá a pena, então, proteger?

Embora estejamos demasiado longe desse cenário na vida real, acontecem coisas actualmente pelo mesmo motivo. Penso que é útil, como exercício, atentar em certos actos governamentais, que normalmente aparecem sob o signo do securitarismo. Uma política que vive dos medos dos eleitores e não dos seus ensejos está, à partida, errada.

O rótulo da segurança é perigoso e pode ser usado para fins muito perversos. Já foi usado como arma eleitoral na maior super potência mundial, isto com frutos para o actual presidente. Neste caso, tem que haver uma luta consciente, pelo menos para que a realidade não se torne uma réplica minimamente aproximada da ficção.

José Bosingwa

Juntamente com Ariza Makukula, os nomes mais extraordinários da selecção nacional.
Nascido em Kinshasa, República Democrática do Congo, José cedo deixou a savana africana para viver na granítica Seia, despontando para o futebol no Fornos de Algodres.

Depois de uma passagem pelo Freamunde, José regressa à casa mãe Boavista onde Jaime Pacheco se multiplica em experiencias posicionais para tirar o máximo rendimento do ATLETA. Chegou a jogar a falso líbero, lateral direito, ala direito, procurando porém afirmar-se como médio defensivo. Jaime Pacheco concerteza pensou que tinha em José não um “pau de dois legumes” como Martelinho mas sim um pau de quatro legumes.
A transferência para os “Andrades” fez dele um jogador mais enriquecido, tutorado por Mourinho e Co Adriaanse.

De referir, o seu grave acidente na companhia dos foliões Nélson (na altura actuava no Boavista), Edu (Vilanovense), Jaime (Ovarense) e Sandro Luís (Minhocas) num jipe BWM conduzido pelo jogador portista.

Desenfreado no campo como na estrada, José é hoje um dos melhores laterais direitos do mundo, disparando no seu dialecto incompreensível (será Francês? Crioulo?) recados a adversários e treinadores, recordar as magníficas afirmações dirigidas a Pedro Silva e Jesualdo Ferreira.