Nos dias que correm existe o culto do
self-made-man, aquele homem que vale por si mesmo, que sobe por mérito próprio na vida. Não nos faltam exemplos de pessoas que, por sua vontade, esforço e dedicação, conseguem "escapar" à realidade bem mais comezinha que a vida lhes tinha reservado à partida, ocupando posições de destaque várias.
De facto, e por muito que nos tentem convencer do contrário, o subir na vida é um objectivo presente na cabeça da grande maioria das pessoas. O prémio pela ascensão social, quer seja ele dinheiro ou simplesmente poder e influência, é apetecível aos olhos de qualquer um. O ser humano, salvo muito raras excepções, gosta que lhe massagem o ego, sendo que ao se ser importante, por qualquer razão que seja, isso é o que a sociedade lhe dá.
Visto o ambiente competitivo que existe em geral hoje, sou levado a pensar que, por vezes, mais até que o mais apto a subir, no perfil do
self-made-man pode encaixar o mais disposto a subir. Passo a explicar: aquele que sobe poderá ser antes o que menos escrúpulos terá ao passar por cima dos outros para chegar aos seus objectivos. Os outros, possíveis adversários, serão sempre vistos como um obstáculo no seu caminho e nada mais.
Não tenho nada contra o facto de se subir na vida, só vejo problema com a parte do "a qualquer custo". O
self-made-man, inserido no contexto da realidade que temos, não me parece ser, de todo, um modelo de virtudes. Muitas vezes, mais que a emulação dos exemplos vivos que existem, seria desejável um juízo crítico consciente.