Nestes dias, sempre que me perguntam sobre o trabalho, por muito interessantes que sejam as coisas que se passam, eu não posso adiantar muito pela natureza confidencial dos negócios. A conversa chega a um impasse sempre que o assunto é avançar detalhes. Fica tudo tão genérico que mais parece o horóscopo da Maya ou do Oráculo de Belline. Nem com a família se facilita. Aqui vai uma conversa tipo das que tenho tido na última semana com um indivíduo X:
(O indivíduo X poderá ser o meu Pai; a minha Avó; um amigo; a empregada; o canário do vizinho; ou até uma qualquer pessoa que se julga íntima mas cujo nome eu não sei, dai a tratar por X mesmo)
- Então AAC, que tal a primeira semana de trabalho?
- Ah e tal, isto do trabalho não é fácil, muitas horas por dia... Deves imaginar X...
- Mas tudo sobre rodas? Andam a correr bem as coisas?
- Sim X, ainda estou numa fase inicial de aprendizagem, mas ando a descobrir coisas interessantes...
- Ah sim? Então que coisas é que andas a fazer AAC?
- Ando a mexer em modelos de avaliação de empresas em excel e a fazer apresentações em powerpoint.
- Sim, mas especificamente de que empresas/negócios andas a tratar?
- Não posso dizer, sigilo bancário...
Silêncio desconfortável no ar, o indivíduo X fica a olhar para mim com ar de poucos amigos por pensar que eu me acho demasiado importante para lhe adiantar detalhes. Dá para ver que, para o X, o sigilo bancário é apenas uma protecção dos interesses e uma ajuda às falcatruas dos banqueiros. Eu levo com olhares de censura por diversos motivos. Até que tento sair do impasse com o meu requintado leque de temas de conversa.
- Viste o Benfica X? Miserável, aquele Quique Flores!
- Sim, táctica de merda... Só me apetece matar o Di María!
(...)
Assunto esquecido e resolvido. Nota mental: não há conversa que uma crítica gratuita e irracionalmente furiosa ao Benfica não desbloqueie.