quarta-feira, 20 de maio de 2009

Acerca do provincianismo

Já por diversas vezes falei de provincianismo com o amigo AAC. Acrescento à cavaqueira a contribuição do pensador Pessoa.

(…)O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela — em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz. O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.(…)O amor ao progresso e ao moderno é a outra forma do mesmo característico provinciano. Os civilizados criam o progresso, criam a moda, criam a modernidade; por isso lhes não atribuem importância de maior. Ninguém atribui importância ao que produz.(…)Para o provincianismo há só uma terapêutica: é o saber que ele existe. O provincianismo vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando o não somos, de nos supormos civilizados precisamente pelas qualidades por que o não somos. O princípio da cura está na consciência da doença, o da verdade no conhecimento do erro. Quando um doido sabe que está doido, já não está doido.

Fernando Pessoa, in 'Portugal entre Passado e Futuro'

2 comentários:

AAC disse...

Hahaha! Na mouche meu caro!

Anônimo disse...

Estamos a falar do biquinho de pato?!
Zezinha