À boa maneira do Super-homem - o que não anda longe da realidade -, esta é a minha criptonite. De repente, perco a minha super força, deixo de conseguir voar e não consigo usar o meu olhar laser. Se houvesse um exército formado exclusivamente por AACs, o que bastava para o travar era uma horda de "cafuneiras", e nem precisavam de ser particularmente habilidosas. É como vencer um urso - no sentido estritamente metafórico - com mel.
O cafuné é a minha maior fraqueza. Se alguém (do sexo feminino, estamos entendidos) me quiser deixar totalmente vencido e vulnerável, a maneira mas fácil será fazendo-me o belo do cafuné. Sou tão vulnerável ao cafuné que, quando vou cortar o cabelo, frequentemente adormeço quando me estão a lavar a cabeça. Fico catatónico. Sempre que me fazem cafuné fico num estado tão vegetativo que se começa a discutir a questão da eutanásia à minha volta.
Apesar de me fazer perder os super poderes, para mim o cafuné é a melhor invenção depois do fogo. A meu ver, poucas coisas se lhe comparam. Faz-me entrar num estado transcendental e viajar por mundos desconhecidos, e isto sem aditivos químicos ou herbais. Nem só de cafuné vive o Homem, mas o facto é que eu gosto tanto que acho que consigo sobreviver com apenas uma sessão de 15 minutos de cafuné e 3 copos de água por dia.
O cafuné devia ser elevado simultaneamente ao estatuto de arte e ciência. O cafuné devia ser subsidiado. O cafuné é o caminho. O cafuné é paz. O cafuné faz com que os problemas na vida desapareçam. O cafuné acaba com a crise. O cafuné é qualidade de vida. O cafuné é o ponto de partida para um mundo melhor.
Aceitam-se voluntárias à prossecução desta bela disciplina. Eu próprio darei o corpo ao manifesto e sacrificar-me-ei como cobaia. Em nome do progresso!
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