quarta-feira, 20 de maio de 2009

Acerca do provincianismo

Já por diversas vezes falei de provincianismo com o amigo AAC. Acrescento à cavaqueira a contribuição do pensador Pessoa.

(…)O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela — em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz. O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.(…)O amor ao progresso e ao moderno é a outra forma do mesmo característico provinciano. Os civilizados criam o progresso, criam a moda, criam a modernidade; por isso lhes não atribuem importância de maior. Ninguém atribui importância ao que produz.(…)Para o provincianismo há só uma terapêutica: é o saber que ele existe. O provincianismo vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando o não somos, de nos supormos civilizados precisamente pelas qualidades por que o não somos. O princípio da cura está na consciência da doença, o da verdade no conhecimento do erro. Quando um doido sabe que está doido, já não está doido.

Fernando Pessoa, in 'Portugal entre Passado e Futuro'

terça-feira, 12 de maio de 2009

A Insustentável Leveza do Ser


Acerca de pares contrários Parménides no século VI a.C. aponta luz/sombra; quente/frio; ser/não ser. Os pólos positivos seriam naturalmente: luz, quente, ser.

Atente-se ao par leveza/pesado. Parménides não vacilaria, leveza como positivo, como liberdade, voar…
Mestre Kundera vacila e remete para a harmonia amorosa intemporal do encontro de dois corpos, mulher recebe o fardo do corpo masculino, intensidade ímpar.

Leiam, se quiserem, A Insustentável Leveza do Ser. Não é literatura “light”. Mais uma vez a leveza é ambígua.

Disclaimer pós-Queima


Eu, AAC, aproveito para pedir desculpas por todos e quaisquer actos que possam ter infligido danos físicos ou morais, em pessoas, animais, bens móveis e imóveis, terrenos e estendais.

Argumento a favor da pena de morte

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Sigilio Bancário - O bloqueador de conversa

Nestes dias, sempre que me perguntam sobre o trabalho, por muito interessantes que sejam as coisas que se passam, eu não posso adiantar muito pela natureza confidencial dos negócios. A conversa chega a um impasse sempre que o assunto é avançar detalhes. Fica tudo tão genérico que mais parece o horóscopo da Maya ou do Oráculo de Belline. Nem com a família se facilita. Aqui vai uma conversa tipo das que tenho tido na última semana com um indivíduo X:
(O indivíduo X poderá ser o meu Pai; a minha Avó; um amigo; a empregada; o canário do vizinho; ou até uma qualquer pessoa que se julga íntima mas cujo nome eu não sei, dai a tratar por X mesmo)

- Então AAC, que tal a primeira semana de trabalho?
- Ah e tal, isto do trabalho não é fácil, muitas horas por dia... Deves imaginar X...
- Mas tudo sobre rodas? Andam a correr bem as coisas?
- Sim X, ainda estou numa fase inicial de aprendizagem, mas ando a descobrir coisas interessantes...
- Ah sim? Então que coisas é que andas a fazer AAC?
- Ando a mexer em modelos de avaliação de empresas em excel e a fazer apresentações em powerpoint.
- Sim, mas especificamente de que empresas/negócios andas a tratar?
- Não posso dizer, sigilo bancário...

Silêncio desconfortável no ar, o indivíduo X fica a olhar para mim com ar de poucos amigos por pensar que eu me acho demasiado importante para lhe adiantar detalhes. Dá para ver que, para o X, o sigilo bancário é apenas uma protecção dos interesses e uma ajuda às falcatruas dos banqueiros. Eu levo com olhares de censura por diversos motivos. Até que tento sair do impasse com o meu requintado leque de temas de conversa.

- Viste o Benfica X? Miserável, aquele Quique Flores!
- Sim, táctica de merda... Só me apetece matar o Di María!
(...)

Assunto esquecido e resolvido. Nota mental: não há conversa que uma crítica gratuita e irracionalmente furiosa ao Benfica não desbloqueie.

domingo, 29 de março de 2009

Record




O Record é lamentável. Polemista, cai no sensacionalismo e no tabloidismo com uma frequência inaceitável para um jornal desportivo dito sério.

Salvam-se os comentários do Record online, circo onde PAULO FCP faz de Batatinha e SUPER PORTISTA de Companhia.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Jornal de Negócios - Artigo

A quem interessar política da concorrência e afins:

http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=359040

Com direito a comentários desconexos, ao melhor estilo do Record-online.