Estamos a assistir a um episódio histórico nas finanças mundiais: na sequência da crise do subprime todo o sistema financeiro foi posto em cheque e incorre-se no risco de falências em massa no sector. Depois da intervenção nos fundos hipotecários Fannie Mae e Freddie Mac, de ter deixado a Lehman Brothers ir "ao fundo", o governo americano interveio ajudando maior seguradora do mundo (AIG). As justificações dadas para as intervenções foram, para além de se tratar de travar uma derrocada financeira mundial (efeito dominó), que a manutenção das expectativas e da segurança económica das pessoas era de capital importância.
Embora haja mérito nestas justificações para intervir, tenho algumas reservas que sei que passaram também pela cabeça dos analistas. A mensagem que é dada é a errada: no fundo, com estes bail-outs, está-se a passar a ideia de que, independentemente das "borradas" que são feitas por gestores de fundos, o Estado estará quase sempre pronto a amparar as quedas. O facto das incompetências e negócios mais obscuros não serem punidos devidamente neste caso, nem que seja pelo mercado, não augura nada de bom quanto aos incentivos dados aos comportamentos futuros.
Porque é que terão de ser os erros de ditos "burros-de-luxo", principescamente bem pagos, ser, em última instância, cobertos por contribuintes vulgares?
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2 comentários:
Afonso a editor do Financial Times, já!
percebo a tua preocupação de moral hazard, mas a coisa é mais subtil que isso... Não é a intervenção que gera o bail-out da gestão, antes pelo contrário. Os golden-parachutes é que sao o problema. No entanto, partilho dos traços gerais da tua preocupação. já agora: gosto bastante deste blog!
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